De certa forma todos somos sonâmbulos. Se não o somos, diagnosticados, somo-lo embebidos numa massa espessa, que nos veste de ignorância. Sabemos tanto e tão pouco. Pobres sonâmbulos…
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domingo, 16 de fevereiro de 2014
Identidades
Quem sou, quem não sou, nem eu sei!
Se o soubesse não era eu.
E é por não o ser, por o não saber
Que posso, tudo e nada ser.
Posso ser viva, morrendo.
Posso gritar de alegria, menina.
Posso aconchegar-te no colo
Limpar as tuas lágrimas
Guardar os teus segredos, amiga.
Posso sorrir ao espelho, vaidosa.
Andar ondulante, feminina e segura,
Tropeçar e cair na amargura
Rasgar corações em prantos
Entregar-me inteira, moçoila trigueira
Em abraços luxuriantes de amantes.
Ser filha, irmã e mãe e tudo fazer bem.
Posso ser a ovelha negra da família
Escrava do trabalho, vedeta, executiva, rainha.
Posso ser tudo isso e muito mais
Na identidade dos que buscam nada ser
De um ter hoje e amanhã não ter,
Nessa liberdade de vazio que em mim confio
Sei que nas muitas que sou
Está a identidade do efémero
Roupagem de tudo o que existe
No exultar da alegria e no se quedar triste.
Em mim, em ti, em nós
Acompanhados ou sós
Brindemos àquilo que é.
Na beleza nascida da certeza
De que mais nada sou
Do que aquela que rompeu a vida
Em pedaços de si
E amando, os espalhou.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Poetas que sou
Deixo cair as palavras sobre mim
As tuas, agora minhas.
Visto-me delas
Sorvo-as,
Como seiva milagrosa.
Como sabias que te esperava?
Que te necessitava?
Que era este o momento de te ler,
De te sentir
De te fazer meu?
Poetas que sou,
Poetas da minha vida,
Sem vós nada seria.
Convosco rio e choro
Cresço e namoro
E tenho vontade de ir mais além
Ou de ficar aqui.
De ser forte e fraco,
De descobrir o mundo,
E num grito profundo
Descobrir-me a mim.
E quando a vossa poesia me faltar
Serei mais pobre
Não porque parti,
Mas porque vos deixei.
Perante o sagrado
Prometo voltar
Para ser de novo
Arauto de um povo
Que ao mundo doou
Poetas que sou
Sem nunca o ter sido.
Aldora Amaral
2013.12.10
domingo, 29 de setembro de 2013
Ecos do Silêncio
No mundo do silêncio
Todas as vozes murmuram
Todas se calam, se torturam
Se mostram com doçura
A mesma doçura que reina nos corações,
Aqueles, que de guerreiros
Se mostram inteiros,
Sensíveis e fortes,
Sem medo das sortes.
Do mundo do silêncio
Emergem verdades
Mentiras, saudades
Memórias, odores
E muitos amores
Vividos, sonhados
Perdidos, achados.
No mundo do silêncio,
Quando tudo se cala,
O mundo abre-se
Descobre-se, oferece-se
Aos homens atentos,
Capazes de estar ali
No momento presente.
Pois os que de ausências se fazem
Jamais saberão esse mundo
E o seu sentido profundo
Na natureza.
Do aparente inaudível mundo do silêncio
Brota o eco mais verdadeiro
Linguagem perfeita
Que é apenas o que é
Sem mais querer.
Sem nada a perder.
Assim é a folha que brilha ao sol.
Assim a relva se curva ao vento,
O mesmo que molda as pedras
E despenteia as moças.
Assim a montanha se mostra,
A borboleta bate as asas
E a abelha suga a flor.
Assim o sol traz a cor
A todas as coisas do mundo.
Pois em todas elas habita o mesmo idioma,
O do silêncio.
Que só porque existe
A tudo assiste
O milagre
das suas inúmeras vozes.
2013.09.26
Etiquetas:
"Ecos do Silêncio" - Desafio em Poesia,
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