domingo, 7 de abril de 2013


Indignação!

Enquanto houver neste mundo
Seres a quem a fome invade
Mais um crime é cometido,
por todo o ouro e prata
petróleo dinheiro e “lata”,
contra a humanidade.

Por muito que o poder cresça
Em Bancos, acções e pastas,
negócios, altas finanças,
Hotéis, cimeiras, andanças.
Tudo quero! Tudo é pouco!
Sou quem manda, tu és povo!

“O povo é quem mais ordena”
Diz o poeta que é teu.
Tu disputas a miséria
Vives abaixo da média
Gritas por tudo o que é meu!

Minha prole, minha nação
De gritar nunca te cansas.
Não percebes que as andanças
São para teu próprio bem?!!!
Não posso viver do nada…
Tu já estás habituada…
É isto que te convém!

26.11.2011

Para um homem se ver a si mesmo, são necessárias três cousas: olhos, espelho e luz. Se tem espelho e é cego, não se pode ver por falta de olhos; se tem espelho e olhos, e é de noite, não se pode ver por falta de luz. Logo, há mister luz, há mister espelho e há mister olhos. Que cousa é a conversão de uma alma, senão entrar um homem dentro em si e ver-se a si mesmo? Para essa vista são necessários olhos, é necessário luz e é necessário espelho. O pregador concorre com o espelho, que é a doutrina; Deus concorre com a luz, que é a graça; o homem concorre com os olhos, que é o conhecimento. Ora suposto que a conversão das almas por meio da pregação depende destes três concursos: de Deus, do pregador e do ouvinte, por qual deles devemos entender que falta? Por parte do ouvinte, ou por parte do pregador, ou por parte de Deus?

Padre António Vieira, in 'Sermões Escolhidos (Sermão da Sexagésima)'

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

É Natal...




Faz anos que nasceu
Jesus de Maria e José.
Sua vida eterna
Veio mostrar como é
Ser-se Humano.

Ser-se Humano é perecer,
Nascer, sofrer e morrer
Amando...
É ver em outros
Com os seus olhos,
Vestir sua pele,
Tomar sua dor.
É rir com amor
Na sua alegria.
É não ver diferenças
Em mantos, anéis,
Em actos cruéis,
Em morais alheias.
É ver o comum
Num mundo que é um
Em homens, ovelhas.
É ver mais além
Que palhas, Belém.
É ver no Amor
A língua sem cor,
Sem gosto, des-gosto,
Sem quero ou não quero,
Amigo/inimigo.
É ser do tamanho
Do Amor que tenho,
de Jesus, comigo.

Dez 2012

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Doce-amargo


De pelo na venta
Tu olhas-me assim
Não sei o que dizes
Mas sei que é p'ra mim.
Teus olhos redondos
castanhos, profundos,
Mostram-me outros mundos

Teu corpo coberto
Dum pelo cerdoso
e sempre cioso
De um carinho meu,  
Abala o meu centro
Penetra cá dentro
E leva-me ao céu.

No céu não habito
Por isso me irrito
Com o jeito teu.

Daquilo que sinto,
De tudo o que dás,
Serei eu capaz
De num despertar
Aprender a amar?

Rimas


Quando tudo à volta rima
Anda, deixa-te levar…
Olha p’ró que a vida ensina
Faz desse olhar tua sina
Faz dessa sina o rimar

Venda Nova, 2011-12-12

Solidariedade

Há sempre quem se detenha
nos que vivem ao luar,
nos que fazem dessa vida
a sua forma de estar.
2011.12.14

Artes

Com traços e cores
desenhas flores,
cavalos, amores.
Assim te divertes,
assim te convertes
no homem que és.
Olhando pra ti
e vendo-te assim
desvelam-se em mim
perfeitos-amores,
a traços e cores. 2011.12.23