terça-feira, 13 de agosto de 2013




Sob Superfícies Serenas
Explodem melodias
Que nos arrastam
Tela fora…
Num convite ao que mexe em nós
Quando as pisamos,
Sob a tua arte.


        2013.08.08

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Fim de tarde


A noite cai sobre a praia. Espero-a. Ela, e tudo o que o seu chegar contêm. No aconchego do ar quente, trazido pelo vento, observo o horizonte que numa beleza exuberante, se mostra. O mar estende-se até si e funde-se em cores fortes, quentes e sombrias, deixadas pelo sol que, de mansinho, nos vai mostrando, sem pressas, o seu lado romântico, tranquilo, num convite ao amor, à poesia, ao que de mais belo pode sentir quem o contempla. A sua imensa beleza toca o mar com as cores da tarde finda, da noite vinda, deixando o brilho, que até ali foi seu, à elegante lua que se ergue no céu, curvilínea.
Na amplitude do momento em que tudo faz sentido, quebram-se todas as fronteiras. As certezas dão lugar à liberdade. Deixo de ser, sendo maior do que tudo aquilo que em mim possa caber. Na imensidão do horizonte, fundo-me com a natureza. Desapareço e conheço a paz.
2013.08.10
Carcavelos

21h

terça-feira, 6 de agosto de 2013



 Clara Visão

De olhos vendados
De ilusões e sonhos
Vejo a natureza
Como ela não é:
Imaculada.
De olhos vendados
Procuro a beleza
Nas coisas do mundo,
E a perfeição
Em perpétuos amores.
De olhos vendados
Vejo-me princesa
De lábios carnudos
E rara beleza
Que em doces abraços
Se dissolve inteira.
Êxtase de veludo,
De amores feiticeira.

Em um dia…
Em noite vadia
Desata-se o laço
Da venda que trago
Há muito comigo.
Tudo é como é
No mundo e em mim.
De olhos desvendados
De ilusões e sonhos
Encontro a beleza
Em cada jasmim
Posso olhar de frente
(espelho que não mente)
Ser feliz assim!



Artifício

Deixo escorrer sobre mim o teu criar
De movimentos feito.
Tonalidades invadem-me os sentimentos
E a emoção sai de mim.
Sou levada por ti em cores quentes.
Mergulho nas texturas do caminho
Rumo ao desconhecido.
Refresco-me em madrugadas de tons frios
Que despertam os meus sentidos.
Pintas-me a alma
Em ti me deleito,
Doce ofício, de arte feito!



terça-feira, 9 de julho de 2013





Na proeminência da falésia, o grito. Fim de linha. 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Com as palavras…


Com as palavras se constrói a vida, a morte e tudo o que nos propomos construir. Há as que nos inspiram e as que nos secam, as ditas e as escritas, as que nunca dizemos e nos arrependemos. Há as palavras que nascem em nós, perante desafios, não pensadas mas sentidas.

Com as palavras viajamos a mundos distantes, desconhecidos, inventados. Conhecemos gentes, cidades, aldeias e toda a espécie de vidas, de tramas com que nos identificamos ou rejeitamos.

Com as palavras rasgamos a solidão, vivida, sentida, real ou imaginada.
Com as palavras escondemos os silêncios e ludibriamos sentimentos, mostramos e fingimos quem somos, o que queremos ou rejeitamos. As palavras quebram barreiras ou edificam muros inultrapassáveis.

Com as palavras se mata e se morre, de amor, de dor, de saudade, de angústia, de tristeza e de tudo o mais de que somos feitos. Há as palavras ácidas, as doces, as melodiosas e as diretas, com que nos enrolamos, deitamos, abrimos ou fechamos.

Com as palavras simples nos comprometemos, para sempre, nos sins da vida. Com elas se constrói o sal da existência, na poesia e todos os mundos do mundo, para aquém e além dele: os mundos dos que as recitam, escrevem, inventam, cantam e até daqueles que as pintam, desenham, esculpem, pois cada obra de arte contém, e acorda em nós, palavras.

Com as palavras nos perpetuamos e nos mostramos às gerações vindouras. Compreendemos quem somos e donde viemos. Conhecemos as raízes que nos nutriram, a terra de que somos feitos.

Com as palavras construímos imagens, futuros, carreiras, e com elas as destruímos.
Com as palavras, tudo e nada somos, mas sem elas, o inimaginável mundo de um total silêncio se veria privado do seu outro lado e viveria, decerto, pela metade.

Com as palavras todos os silêncios são possíveis pois cada uma delas possui em si o silêncio respectivo.

Sem as palavras todos seriamos mais pobres.

Vivam as palavras, todas elas, em todas as línguas. E vivam também as meias-palavras naquilo que no indizível nada deixam por dizer.

2013.05.15


sexta-feira, 24 de maio de 2013

Espinhos


Pendurado por panos crus
preso por fios onde se enrola,
baloiça os seus pensamentos,
convicções, crenças.
Está rodeado de espinhos
com que vai picando os que por ali passam.
Há uma crueza em si,
proporcional à força.
O rosto tenso e sisudo
procura sorrisos,
amores.
A solidão habita para cá dos espinhos.
Para lá deles...a escuridão.
Aqui, onde se vê,
há o tamanho, imenso,
linguagem outra,
do inacessível,
do incompreendido
do encoberto.
Baloiça.
Esperneia.
Grita.
A cada reagir, maior a prisão
que lhe tira os pés do chão,
e o arrasta, espinhos acima,
para a dor de não saber,
como fazer
amaciar o coração,
acalmar esta tensão.
Olha-lá,
sem a julgar,
sem lhe exigir a lucidez.
Aceitar-lá,
deixar que seja quem é.
Pode a luz ser escuridão?
E ele?
Pode descer dos panos crus
e eliminar o caminho que a espinhos conduz?
Ou viverá nesta agonia,
tremenda e fria,
nesta visão
de porta aberta
à solidão?

2013.04.27