domingo, 18 de agosto de 2013

Viagem de Sonho

Navega em mares revoltos,
Frágil.
Embarca em caravelas
De emoções,
De preferências,
De rejeições.
Procura a calmaria
Nas marés
E a liberdade
Nos horizontes.
Em viagens de sonho
Anseia acordar
Sem velas,
Sem remos,
Sem chão,
Sem horizontes.
E na maré do despertar
Ser tudo isso.
Viagem sem sonho
Em que o navegar
Não é partir,
Mas ficar.



14.08.2013

terça-feira, 13 de agosto de 2013




Sob Superfícies Serenas
Explodem melodias
Que nos arrastam
Tela fora…
Num convite ao que mexe em nós
Quando as pisamos,
Sob a tua arte.


        2013.08.08

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Fim de tarde


A noite cai sobre a praia. Espero-a. Ela, e tudo o que o seu chegar contêm. No aconchego do ar quente, trazido pelo vento, observo o horizonte que numa beleza exuberante, se mostra. O mar estende-se até si e funde-se em cores fortes, quentes e sombrias, deixadas pelo sol que, de mansinho, nos vai mostrando, sem pressas, o seu lado romântico, tranquilo, num convite ao amor, à poesia, ao que de mais belo pode sentir quem o contempla. A sua imensa beleza toca o mar com as cores da tarde finda, da noite vinda, deixando o brilho, que até ali foi seu, à elegante lua que se ergue no céu, curvilínea.
Na amplitude do momento em que tudo faz sentido, quebram-se todas as fronteiras. As certezas dão lugar à liberdade. Deixo de ser, sendo maior do que tudo aquilo que em mim possa caber. Na imensidão do horizonte, fundo-me com a natureza. Desapareço e conheço a paz.
2013.08.10
Carcavelos

21h

terça-feira, 6 de agosto de 2013



 Clara Visão

De olhos vendados
De ilusões e sonhos
Vejo a natureza
Como ela não é:
Imaculada.
De olhos vendados
Procuro a beleza
Nas coisas do mundo,
E a perfeição
Em perpétuos amores.
De olhos vendados
Vejo-me princesa
De lábios carnudos
E rara beleza
Que em doces abraços
Se dissolve inteira.
Êxtase de veludo,
De amores feiticeira.

Em um dia…
Em noite vadia
Desata-se o laço
Da venda que trago
Há muito comigo.
Tudo é como é
No mundo e em mim.
De olhos desvendados
De ilusões e sonhos
Encontro a beleza
Em cada jasmim
Posso olhar de frente
(espelho que não mente)
Ser feliz assim!



Artifício

Deixo escorrer sobre mim o teu criar
De movimentos feito.
Tonalidades invadem-me os sentimentos
E a emoção sai de mim.
Sou levada por ti em cores quentes.
Mergulho nas texturas do caminho
Rumo ao desconhecido.
Refresco-me em madrugadas de tons frios
Que despertam os meus sentidos.
Pintas-me a alma
Em ti me deleito,
Doce ofício, de arte feito!



terça-feira, 9 de julho de 2013





Na proeminência da falésia, o grito. Fim de linha. 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Com as palavras…


Com as palavras se constrói a vida, a morte e tudo o que nos propomos construir. Há as que nos inspiram e as que nos secam, as ditas e as escritas, as que nunca dizemos e nos arrependemos. Há as palavras que nascem em nós, perante desafios, não pensadas mas sentidas.

Com as palavras viajamos a mundos distantes, desconhecidos, inventados. Conhecemos gentes, cidades, aldeias e toda a espécie de vidas, de tramas com que nos identificamos ou rejeitamos.

Com as palavras rasgamos a solidão, vivida, sentida, real ou imaginada.
Com as palavras escondemos os silêncios e ludibriamos sentimentos, mostramos e fingimos quem somos, o que queremos ou rejeitamos. As palavras quebram barreiras ou edificam muros inultrapassáveis.

Com as palavras se mata e se morre, de amor, de dor, de saudade, de angústia, de tristeza e de tudo o mais de que somos feitos. Há as palavras ácidas, as doces, as melodiosas e as diretas, com que nos enrolamos, deitamos, abrimos ou fechamos.

Com as palavras simples nos comprometemos, para sempre, nos sins da vida. Com elas se constrói o sal da existência, na poesia e todos os mundos do mundo, para aquém e além dele: os mundos dos que as recitam, escrevem, inventam, cantam e até daqueles que as pintam, desenham, esculpem, pois cada obra de arte contém, e acorda em nós, palavras.

Com as palavras nos perpetuamos e nos mostramos às gerações vindouras. Compreendemos quem somos e donde viemos. Conhecemos as raízes que nos nutriram, a terra de que somos feitos.

Com as palavras construímos imagens, futuros, carreiras, e com elas as destruímos.
Com as palavras, tudo e nada somos, mas sem elas, o inimaginável mundo de um total silêncio se veria privado do seu outro lado e viveria, decerto, pela metade.

Com as palavras todos os silêncios são possíveis pois cada uma delas possui em si o silêncio respectivo.

Sem as palavras todos seriamos mais pobres.

Vivam as palavras, todas elas, em todas as línguas. E vivam também as meias-palavras naquilo que no indizível nada deixam por dizer.

2013.05.15