quinta-feira, 22 de agosto de 2013


Ruas estreitas, empedradas...



Ruas estreitas, empedradas,
Também contêm gente.
Têm começo e fim
Como tudo o mais, na vida.
Sabem para onde vão
e de onde vêm.
Suportam passos diurnos, noturnos,
Apressados ou lentos.
Conhecem segredos,
Guardam-nos sob as suas pedras.
Provocam quedas, tropeções.
Quebram saltos altos,
Atraindo as moças
Pra mais perto de si…
Há quem as olhe e as ame
E quem as pise, sem as saber.

Ruas estreitas, empedradas
Têm vida, movimento, odores.
Vibram no amor e ódio das vizinhas
Que em noites soalheiras
Enfeitam degraus, janelas e portas
Com vestes, risos e palavreados.

Hoje posso olhar esta rua estreita, empedrada,
Dessas que vale a pena palmilhar.
Desço-a em degraus espaçosos, lentos
Que convidam ao pisar respeitoso.
Ao fundo a torre da igreja surge
Metáfora brilhante do fim da rua de todos nós…
Aromas de flores acompanham os meus passos,
Assinalando a vida em cada casa.
Atraso o passo
Faz-se silêncio
De sol se ilumina a jornada.
Na rua estreita,
Empedrada.

2013.08.20








domingo, 18 de agosto de 2013

Viagem de Sonho

Navega em mares revoltos,
Frágil.
Embarca em caravelas
De emoções,
De preferências,
De rejeições.
Procura a calmaria
Nas marés
E a liberdade
Nos horizontes.
Em viagens de sonho
Anseia acordar
Sem velas,
Sem remos,
Sem chão,
Sem horizontes.
E na maré do despertar
Ser tudo isso.
Viagem sem sonho
Em que o navegar
Não é partir,
Mas ficar.



14.08.2013

terça-feira, 13 de agosto de 2013




Sob Superfícies Serenas
Explodem melodias
Que nos arrastam
Tela fora…
Num convite ao que mexe em nós
Quando as pisamos,
Sob a tua arte.


        2013.08.08

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Fim de tarde


A noite cai sobre a praia. Espero-a. Ela, e tudo o que o seu chegar contêm. No aconchego do ar quente, trazido pelo vento, observo o horizonte que numa beleza exuberante, se mostra. O mar estende-se até si e funde-se em cores fortes, quentes e sombrias, deixadas pelo sol que, de mansinho, nos vai mostrando, sem pressas, o seu lado romântico, tranquilo, num convite ao amor, à poesia, ao que de mais belo pode sentir quem o contempla. A sua imensa beleza toca o mar com as cores da tarde finda, da noite vinda, deixando o brilho, que até ali foi seu, à elegante lua que se ergue no céu, curvilínea.
Na amplitude do momento em que tudo faz sentido, quebram-se todas as fronteiras. As certezas dão lugar à liberdade. Deixo de ser, sendo maior do que tudo aquilo que em mim possa caber. Na imensidão do horizonte, fundo-me com a natureza. Desapareço e conheço a paz.
2013.08.10
Carcavelos

21h

terça-feira, 6 de agosto de 2013



 Clara Visão

De olhos vendados
De ilusões e sonhos
Vejo a natureza
Como ela não é:
Imaculada.
De olhos vendados
Procuro a beleza
Nas coisas do mundo,
E a perfeição
Em perpétuos amores.
De olhos vendados
Vejo-me princesa
De lábios carnudos
E rara beleza
Que em doces abraços
Se dissolve inteira.
Êxtase de veludo,
De amores feiticeira.

Em um dia…
Em noite vadia
Desata-se o laço
Da venda que trago
Há muito comigo.
Tudo é como é
No mundo e em mim.
De olhos desvendados
De ilusões e sonhos
Encontro a beleza
Em cada jasmim
Posso olhar de frente
(espelho que não mente)
Ser feliz assim!



Artifício

Deixo escorrer sobre mim o teu criar
De movimentos feito.
Tonalidades invadem-me os sentimentos
E a emoção sai de mim.
Sou levada por ti em cores quentes.
Mergulho nas texturas do caminho
Rumo ao desconhecido.
Refresco-me em madrugadas de tons frios
Que despertam os meus sentidos.
Pintas-me a alma
Em ti me deleito,
Doce ofício, de arte feito!



terça-feira, 9 de julho de 2013





Na proeminência da falésia, o grito. Fim de linha.