Beleza maior
Olho o céu.
Nele posso ver tudo o que é meu: nada.
Como é belo e livre, o céu.
2013.08.30
De certa forma todos somos sonâmbulos. Se não o somos, diagnosticados, somo-lo embebidos numa massa espessa, que nos veste de ignorância. Sabemos tanto e tão pouco. Pobres sonâmbulos…
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
domingo, 1 de setembro de 2013
Oração
Olha o oceano
Como ele é
Imenso, espaçoso, profundo,
Cumprindo o seu papel
Na natureza.
Ondulante, belo, abundante.
Mostra-se numa aparente indiferença
A toda a penetração humana
Que o explora, polui, mancha de sangue.
A todas as agressões
Retribui com amor
Partilhando quem é.
Sábio em grandeza
Grande na nobreza,
Permanece ali
Imenso, espaçoso, profundo
Cumprindo o seu papel na natureza.
Assim fosse o homem.
Amém
2013.08.19
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Moinhos de vento,
Que ventos nos trazem?
Memórias alegres
De tempos vividos
De amigos que idos
Jamais partirão.
Memórias sabidas
Quem em farinhas finas
Moem e remoem.
Esforços suados
Em pães amassados
Vidas que alimentam
Pobres e abastados.
Moinhos de vento
Que ventos nos trazem?
Temíveis gigantes
Que a figura triste
Dum tal cavaleiro,
Corajoso Andante,
Quixote de nome
De livros, amante
Anseia enfrentar.
Ama Dulcineia
Ama a terra inteira
Vivo na “loucura”
Morto no “sarar”.
Moinhos de vento
Que ventos nos trazem?
Em seus braços lindos
Sonhos de meninos
Campos verdes, flores
Correrias, abraços
Risos, estardalhaços
Amor, natureza.
Moinhos sadios
Circulares, vadios
Bebem dos riachos
Brincam com o vento.
Pintam horizontes
Enfeitam os montes
Despertam paixões
Morrem com os tempos
Vivem em lamentos
E nos corações.
Moinhos de vento
Que ventos não trazem?
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Ruas estreitas, empedradas...
Ruas estreitas, empedradas,
Também contêm gente.
Têm começo e fim
Como tudo o mais, na vida.
Sabem para onde vão
e de onde vêm.
Suportam passos diurnos, noturnos,
Apressados ou lentos.
Conhecem segredos,
Guardam-nos sob as suas pedras.
Provocam quedas, tropeções.
Quebram saltos altos,
Atraindo as moças
Pra mais perto de si…
Há quem as olhe e as ame
E quem as pise, sem as saber.
Ruas estreitas, empedradas
Têm vida, movimento, odores.
Vibram no amor e ódio das vizinhas
Que em noites soalheiras
Enfeitam degraus, janelas e portas
Com vestes, risos e palavreados.
Hoje posso olhar esta rua estreita, empedrada,
Dessas que vale a pena palmilhar.
Desço-a em degraus espaçosos, lentos
Que convidam ao pisar respeitoso.
Ao fundo a torre da igreja surge
Metáfora brilhante do fim da rua de todos nós…
Aromas de flores acompanham os meus passos,
Assinalando a vida em cada casa.
Atraso o passo
Faz-se silêncio
De sol se ilumina a jornada.
Na rua estreita,
Empedrada.
2013.08.20
domingo, 18 de agosto de 2013
Viagem de Sonho
Navega em mares revoltos,
Frágil.
Embarca em caravelas
De emoções,
De preferências,
De rejeições.
Procura a calmaria
Nas marés
E a liberdade
Nos horizontes.
Em viagens de sonho
Anseia acordar
Sem velas,
Sem remos,
Sem chão,
Sem horizontes.
E na maré do despertar
Ser tudo isso.
Viagem sem sonho
Em que o navegar
Não é partir,
Mas ficar.
14.08.2013
Frágil.
Embarca em caravelas
De emoções,
De preferências,
De rejeições.
Procura a calmaria
Nas marés
E a liberdade
Nos horizontes.
Em viagens de sonho
Anseia acordar
Sem velas,
Sem remos,
Sem chão,
Sem horizontes.
E na maré do despertar
Ser tudo isso.
Viagem sem sonho
Em que o navegar
Não é partir,
Mas ficar.
14.08.2013
terça-feira, 13 de agosto de 2013
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Fim de tarde
A noite cai sobre a praia.
Espero-a. Ela, e tudo o que o seu chegar contêm. No aconchego do ar quente,
trazido pelo vento, observo o horizonte que numa beleza exuberante, se mostra. O
mar estende-se até si e funde-se em cores fortes, quentes e sombrias, deixadas
pelo sol que, de mansinho, nos vai mostrando, sem pressas, o seu lado romântico,
tranquilo, num convite ao amor, à poesia, ao que de mais belo pode sentir quem
o contempla. A sua imensa beleza toca o mar com as cores da tarde finda, da
noite vinda, deixando o brilho, que até ali foi seu, à elegante lua que se
ergue no céu, curvilínea.
Na amplitude do momento em que
tudo faz sentido, quebram-se todas as fronteiras. As certezas dão lugar à
liberdade. Deixo de ser, sendo maior do que tudo aquilo que em mim possa caber. Na imensidão do
horizonte, fundo-me com a natureza. Desapareço e conheço a paz.
2013.08.10
Carcavelos
21h
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